Ecossistema de Pagamentos 3/5

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As oportunidades da transformação digital e a convergência do mobile permitem aos novos players reinventar a forma como se realiza o pagamento. Num processo de compra, seja em loja física ou em ambiente web, o momento de pagamento é sempre o mais crítico. As novas soluções são desenvolvidas com o objectivo de retirar o atrito a este “momento de verdade” tornando-o quase invisível no processo de compra. Pretende-se efectivamente reduzir a carga emocional do acto de pagar.

Estes players interpõem-se ao comerciante e ao consumidor como facilitadores do pagamento. Aproveitam inteligentemente os meios de pagamento (cartões) disponibilizados pelos bancos e, no caso de permitirem a criação de contas virtuais, aproveitam ainda os procedimentos de compliance e de branqueamento de capitais realizados pelos bancos, uma vez que é destes a proveniência dos fundos transferidos (ex. reforço de uma conta PayPal ou de um aplicativo pré-pago).

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São intermediários da transacção que, em alternativa ao tradicional POS – terminal de pagamento com cartão, fazem uso do mobile, de um aplicativo específico (APP), do sistema de mensagens (SMS/USSD) ou da existência de um chip integrado em qualquer coisa (IoT), para despoletar o início da transacção financeira.

São usadas diversas tecnologias, que vão desde a versão mais simples de telefone (SMS/USSD) à versão mais evoluída do smartphone com acesso a Bluetooth, NFC e Dados Móveis. Nas situações em que se pretenda realizar uma validação token através de mensagem telefónica, é necessário que o operador de comunicações esteja activo.

A tokenização transmite segurança à transacção e evita a transmissão de dados ao comerciante (por exemplo, o fornecimento do código de segurança CVV2 inscrito no verso dos cartões). No caso de uma transferência realizada em homebanking, é gerado um código via sms, que deve ser utilizado para validar e concluir a transacção. Trata-se de um sistema de autenticação benéfica para todos os intervenientes.

Reforça-se a segurança das transacções com base na identidade digital (eu sou), pelo uso do mobile (eu tenho) e pela validação por password ou token (eu sei). Estão assim garantidas as condições para assegurar uma autenticação forte.

Desde que reunidas estas condições os novos players estão preparados para funcionar como Gateways de pagamento que disponibilizam serviços de abertura de conta virtual e de wallet digital de cartões bancários. Adicionalmente, podem disponibilizar acesso direto a contas bancárias, em rede previamente criada em parceria com entidades bancárias. Podem também realizar transacções em moeda electrónica, convertendo previamente e posteriormente a moeda de origem e de destino, respectivamente.

Para operarem têm de reunir também condições de aceitação de pagamentos, própria ou através de acordos estabelecidos com as marcas internacionais, condições de processamento e condições de liquidação de transacções.

As novas soluções de pagamento são, na generalidade, assentes em modelos de três partes.

Destaco os sistemas de pagamento da Paypal, da Alipay e da M-PESA.

paypalPayPal é um sistema pioneiro de pagamento três partes, criado na Califórnia, que permite a transferência de dinheiro entre indivíduos ou negociantes usando um endereço de e-mail e uma palavra passe. Generalizou-se mundialmente nas compras on-line a partir de computadores, aplicativo em mobile e tablets. Os dados pessoais e bancários dos utilizadores ficam guardados na PayPal e não são transmitidos aos comerciantes. O Utilizador pode obter um crédito PayPal através da solução BillmeLater. Um outro serviço PayPal é a transferência P2P cross border (Xoom).

alipayAliPay é um sistema de pagamento on-line, criado na China pelo Grupo Alibaba (MyBank), sem taxas de transacção. Fornece um serviço escrow, em que os consumidores podem verificar se estão satisfeitos com os bens que compraram com o direito de reaver o seu dinheiro, caso não o estejam. As transacções são realizadas e confirmadas aos comerciantes em moeda electrónica chinesa – RMB/CNYm-pesa

M-Pesa é um sistema de pagamento viabilizado, em 2007, pela Operadora Vodafone. O cliente troca o seu dinheiro num agente M-Pesa obtendo crédito electrónico que fica disponível na conta corrente associada ao seu número de telefone. Posteriormente, transfere dinheiro para o beneficiário que pretende, desde que registado na rede da operadora. A transacção electrónica é accionada por mensagem Short Message Service (SMS) para permitir que um simples telefone móvel possa operar a mesma. O beneficiário, caso necessite de dinheiro vivo, procede ao seu levantamento num qualquer agente M-Pesa.

Outras soluções similares à M-Pesa são as plataformas GCASH nas Filipinas, a UPI na India e a Wizzit na Africa do Sul.

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