Ecossistema de Pagamentos 5/5

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Como se constata diariamente, o Ecossistema de pagamentos está em perfeita transformação. Existem múltiplas soluções de pagamento e inúmeras start-up que procuram criar novas experiências de pagamento facilitadoras das transacções comerciais. Partilhei alguns exemplos de distintas soluções a operar em diferentes geografias.

Neste post procurarei sistematizar graficamente a definição de Ecossistema de Pagamentos e identificar as suas vantagens para a Economia Digital.

Retomo a definição apresentada de Ecossistema de Pagamentos como o sistema onde se realizam pagamentos (paga antes, paga agora, paga depois), que inclui a forma (física, electrónica, digital), os meios (dinheiro, cheque, cartão, transferência, débito directo) e os canais utilizados (Loja/Quiosque/Agente, Call Center, ATM, POS, Web, Mobile), com capacidade de influência sobre os agentes económicos que intervêm na economia.

Apresentarei alguns exemplos reais para facilitar a compreensão da figura.

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Nota sobre siglas: SEPA DD e SEPA TC (Single Euro Payments Area, Débito Directo e Transferência a Crédito); Ent/Ref MB (Entidade Referência MB); as restantes foram mencionadas durante o artigo.

Todos conhecemos exemplos de pagamento com dinheiro ou com cartões pré-pagos, débito ou crédito pelo que, não considero necessário apresentar casos reais.

Também conhecemos as opções electrónicas indicadas associadas a uma conta de depósito bancária.

Neste âmbito, destaco a solução de iniciação de uma transacção electrónica a partir de um número de telefone, o serviço MB Way, disponibilizado pela SIBS em parceria com os Bancos portugueses. A adesão e associação do número de telefone a cartões bancários são realizadas em caixa automático de pagamento (ATM). Desta forma, todos nós, enquanto clientes poderemos efectuar compras em comerciantes aderentes e transferências peer-to-peer (P2P), via mobile (app), fornecendo apenas o nosso número de telemóvel, em vez de utilizarmos o cartão físico, ou de fornecermos os dados do mesmo em transacções card not present.

O depósito TPP (Third Party Payment Service Provider) referido na figura representa, por exemplo, a conta virtual disponibilizada pela PayPal.

No que respeita às opções digitais refiro a solução MB Net , desenvolvido pela SIBS com o acordo do sistema bancário português, em Setembro de 2001, para mitigar o risco de fraude quando usamos cartões em operações de ambiente web. Esta solução permite criar cartões virtuais, com limites definidos pelo utilizador, para utilizar em compras on-line ou parquear em wallets digitais ou aplicativos móveis.

Para exemplificar os aplicativos pré-pagos refiro as apps portuguesas da EMEL (Empresa Municipal de Mobilidade e Estacionamento de Lisboa) e a dos JSC (Jogos Santa Casa) e, a Uber (empresa multinacional norte-americana de transporte privado urbano).

Para referenciar as wallets menciono as bem conhecidas Google Wallet, Apple Pay, Paypal Wallet, Samsung Wallet, as chinesas AliPay e TenPay, a Japonesa NTT DoCoMo e, as portuguesas MEO Wallet e MB Way.

Refiro a NTT DoCoMo (“do communications over the mobile network“), uma filial do principal operador de rede móvel no Japão (a NTT) que lançou uma mobile wallet suportada nas tecnologias NFC (near field communication) e SMS (short message service).

As vantagens para a Economia Digital decorrentes de um eficiente ecossistema de pagamentos são obviamente facilitadoras do crescimento e do desenvolvimento de países e do mundo.

A desmaterialização da moeda, enquanto meio de pagamento, tem acompanhado a evolução humana desde as sociedades primitivas – a moeda-mercadoria, até à sociedade actual – a moeda electrónica e a moeda digital.

Os consumidores pretendem apreciar o acesso a bens e serviços desvalorizando ao máximo o ato de pagar de per si, que é sempre “aborrecido”. As soluções de pré-pagamento – vouchers, moeda buffer (ex. cartão consumo em rede privada hoteleira, as fichas dos casinos), aplicativos pré-pagos, os programas de fidelização – pontos, milhas, cash back ou outras, são tudo formas de “colocar em segundo plano o ato de pagar no momento em que se tem acesso ao bem ou ao serviço”. Pela via da gestão emocional desta dualidade consumir / pagar, galvaniza-se o comércio / economia e proporciona-se maior felicidade aos consumidores.

O PIB de um país melhora sempre que melhora o ecossistema de pagamentos onde operam os seus agentes económicos. Potenciar, facilitar e financiar o investimento nas novas tecnologias disponíveis deve ser uma preocupação das autoridades nacionais e internacionais (com responsabilidades na Legislação, Supervisão e Regulação), do sistema bancário e parabancário (Bancos tradicionais e novos Players) e do próprio mercado (Comerciantes e Consumidores).

Outra grande oportunidade do ecossistema de pagamentos é a monetização da informação de transacções. Identificar quem, o quê, onde, quando e quanto gastou é uma oportunidade única para criar leads de negócio e para potenciar os proveitos das empresas por via da fidelização de clientes.

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Termino destacando o objectivo da evolução do ecossistema de pagamentos, que ambiciona permitir que toda a população, bancarizada ou não, possa estar integrada no mundo financeiro dos pagamentos e das transferências. Pretende facilitar o pagamento transfronteiriço como se um pagamento local se tratasse. Por esta via, todos podem vender e comprar on-line, realizar transferências Peer-to-Peer (P2P) e, preparar as futuras transacções Machine-to-Machine (M2M Commerce).

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