Proteja o Ativo e Assegure a Liquidez

A gestão financeira monitoriza a evolução da empresa através da análise dos indicadores financeiros, que funcionam como orientações de extrema importância no processo de tomada de decisão e como recurso para a elaboração da sua estratégia, ao nível dos pilares da Segurança, Liquidez e Rentabilidade.

Neste post será abordada a proteção contínua do ativo da empresa – a sua segurança, e a gestão efetiva da sua tesouraria – a sua liquidez.

A segurança refere-se à qualidade e defesa do ativo da empresa, seja o ativo imobilizado (não corrente) ou o activo de exploração (corrente).

A empresa precisa de acompanhar o destino dado aos fundos próprios e aos fundos alheios (ao capital próprio e ao passivo) referente às decisões tomadas sobre os investimentos realizados (edifícios, equipamentos, maquinaria, infra-estrutura informática e aplicações, etc.), sobre as vendas a crédito que realiza (qualidade e perfil do devedor, o instrumento contrato utilizado, entre outras) ou, ainda, sobre a conjuntura (a interna e a externa).

Refiram-se os indicadores de estrutura, por exemplo, os rácios de autonomia financeira, de cobertura de imobilizado e de solvabilidade, que permitem aferir sobre o grau de independência financeira da empresa e sobre a sua capacidade para fazer face aos compromissos de médio e longo prazo.

O endividamento da empresa, quando excessivo e descontrolado, compromete a segurança da empresa e aumenta a probabilidade de uma futura insolvência no médio e longo prazo.

Torna-se necessário observar cuidadosamente os indicadores de funcionamento da empresa, associados ao seu ciclo de operações, que  permitem inferir conclusões e tomar decisões acerca da eficiência da gestão de crédito comercial e das respetivas cobranças.

Reforça-se a análise do risco operacional da empresa observando a estrutura de formação das margens de lucro. Para o efeito, recorre-se a um conjunto de indicadores económicos associados ao ciclo de exploração e com reflexos na demonstração de resultados.

As empresas precisam de estar preparadas para suportar perdas futuras não esperadas, como sejam, por exemplo, uma redução no volume de negócios, um elevado incumprimento do crédito concedido aos seus clientes, uma dificuldade de obtenção de fornecimentos de matérias-primas, um aumento inesperado do preço de um qualquer fator de produção, da taxa de juro, da taxa de câmbio ou mesmo da taxa de inflação.

A segurança da empresa depende ainda da diversificação da carteira de fornecedores (inclui os parceiros bancários) e de clientes para que nunca seja comprometida a sua capacidade de desenvolver a sua atividade de forma regular.

Também a maior ou menor incerteza na conversão dos ativos em liquidez representa a maior ou menor segurança da empresa podendo mesmo comprometer a sua continuidade. Qualquer negócio rentável pode ruir por ausência de “dinheiro em caixa”!

Neste âmbito, importa analisar os indicadores de liquidez corrente, liquidez reduzida e liquidez imediata.

A liquidez resulta, pois, do equilíbrio entre a conversão em “cash” dos recursos investidos (ativo não corrente e ativo corrente) e a exigibilidade do passivo (curto e médio / longo prazo), absolutamente crítico para permitir à empresa honrar as suas obrigações no dia do seu vencimento perante os seus credores.

O risco de liquidez é mais elevado quando a empresa não consegue antecipar a boa cobrança dos seus clientes ou a procura dos seus produtos e serviços, sem ter acesso a novas fontes de financiamento.

A degradação da qualidade da carteira de clientes impacta negativamente sobre a liquidez, em três dimensões:

  • Porque as contas “caixa e bancos” deixam de ser “alimentadas” pelas transferências devidas (recebimento regular da faturação a crédito);
  • Porque é necessário proceder à constituição de imparidades, referentes a créditos de cobrança duvidosa, consumindo recursos que deixam de estar disponíveis para a normal atividade;
  • Porque a empresa perde ativos elegíveis (carteira de clientes) para assegurar a cobertura de responsabilidades assumidas perante credores terceiros (fornecedores, Estado, instituições financeiras, sócios e acionistas).

A gestão financeira estratégica dos pilares da segurança e da liquidez é bem-sucedida quando é assegurado o equilíbrio financeiro das maturidades das origens e das aplicações de fundos tendo em consideração as previsões do ritmo de crescimento das vendas da empresa, as geradoras do cash-flow regular que “paga as contas”!

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